quarta-feira, 20 de abril de 2011

Abril Diferente





Diferente, essa é a palavra que melhor define o 19º Festival Abril pro Rock, mas não é a diferença que sempre caracterizou o festival, famoso pela oportunidade de descobrir novas bandas. A edição de 2011 se resumiu apenas, a mais um festival de música - muito bom por sinal, mas sem grandes emoções. Com o palco do Chevrollet Hall dividido ao meio, as bandas foram bastante pontuais, sem intervalos longos e religiosos cinquenta minutos de apresentação.

Prejudicados um pouco pelo horário, as bandas Feiticeiro Julião (vencedora do concurso Bis pro Rock) e Mamelungos, foram respectivamente, as primeiras a se apresentarem. Em shows marcados pela criatividade e inovação tão peculiar dos pernambucanos. As bandas começaram a atrair, o ainda reduzido e disperso público que chegou cedo ao festival. Já aquecidos, o público recebeu a banda paulista Holger, com seu rock famoso no underground brasileiro que para descontrair, finalizaram o show com um funk. A norte-americana Chicha Libre, prendeu a atenção do público que dançou conhecendo ou não o repertório, deixando apenas a desejar, um pouco mais de percussão em suas melodias.

Tulipa Ruiz, se mostrou a banda revelação da noite, todos estavam ansiosos para vê e ouvir de perto aquela que foi a sensação musical do ano de 2010. A ansiedade foi tanta, que anunciaram em seu lugar, a cantora Karina Buhr. O que não desconcertou Tulipa, que ao subir no palco, cantou o começo de “Eu sou, uma pessoa má, eu menti, para você”. Arrancando risos do público, deu início ao seu playlist, cantando a faixa título do seu álbum “Efêmera”, aliás, playlist este, que acabou sendo arremessado para o público durante o show. Quem ainda dividiu o palco com a cantora, em uma sintonia perfeita, foi o músico Marcelo Jeneci. Tulipa, além da missão de fazer o show, que por sinal, soou perfeito e muito bem ensaiado, foi repórter especial da MTV. Muito a vontade, mostrou satisfação em estar na cidade e declarou ser uma realização tocar no Abril pro Rock. Assumindo falar muito, tulipa contou que no tempo que estudava, conheceu um pernambucano que lhe presenteou com uma camisa do festival, na época, sentia-se orgulhosa e “descolada” em usá-la. E que hoje, ficava feliz em estar ali e poder reconhecer seu público, tão comunicativo nos sites de relacionamento.

O mesmo coro que não errou letra sequer no show de Tulipa Ruiz, não tirou os olhos da hiperativa Karina Buhr, o que deixou uma reflexão da semelhança de público para sons tão distintos. Atriz por formação, Karina mostrou sua presença de palco de uma forma bastante encenada e criativa, interagindo até com o fio do microfone e o pedestal, correndo enlouquecidamente por todo o palco e se jogando pelo chão. Além do seu espírito transgressor, Karina chamou toda atenção com seu macacão paetê e os célebres músicos que trás consigo nessa turnê do álbum “Eu menti para você”. Muito bem acompanhada, Karina tocou ao lado de Catatau, Guizado e Edgard Scandurra. Edgard, que ainda teve pique para tocar com Arnaldo Antunes, onde dessa vez, quem enlouqueceu foi o público que não largou o gradeado para ficar o mais próximo possível do cantor. Percebendo a receptividade do público, Arnaldo se juntou a eles, descendo do palco e cantando com os fãs. Quem fez dueto com ele também, foi o músico Ortinho, cantando “envelhecer” e afirmando a estreita amizade que se aparenta existir entre os dois músicos.

A banda Eddie voltou ao palco depois de 12 anos, com um show tradicional e envolvente. Que teve início com o hit “Quando a maré encher” na tentativa de instigar a comportada plateia. Apesar de tímida, o público dançou todo o repertório, um tanto clássico da banda, que conseguiu reunir a “família eddie”. Levando ao palco Rogerman, o Mestre Erasto Vasconcelos - que não podia deixar de cantar Maranguape e Guia de Olinda. Karina Buhr trouxe certa nostalgia ao lembrar os tempos que havia uma voz feminina, sempre presente na banda. E claro, não podia faltar o velho frevo para “fazer o final” da festa. Encerrando a noite com classe, subiu ao palco a banda mais aguardada, Skatalites. Os pais do ska reuniram todos os presentes que não perderam a oportunidade de vê a talvez única apresentação dos Jamaicanos por aqui. A vontade foi tanta, que até os que não conheciam assistiram de longe a apresentação.

Com satisfação e aquele sentimento de quarta feira de cinzas, o grande final de semana do tradicional Abril pro Rock, que até a sempre presente chuva não deixou de aparecer, se despediu com a expectativa de superação para o ano que vem. Ou talvez, assim como o seu público, um tanto diferente daquilo que nós conhecíamos, o Abril pro rock firme-se com essa nova roupagem, de pessoas comportadas e sem grandes multidões. Deixando a cargo do Rec-beat e do Coquetel Molotov o papel de revelar bandas, se tornando um festival “antenado” com as produções nacionais e a única oportunidade de trazer para o nordeste grandes nomes do cenário internacional
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Por Risoflora Siqueira

Fotos:

Rafael passos

http://www.flickr.com/photos/abrilprorock/

Priscilla Buhr
http://www.flickr.com/photos/pribuhr

MR.Groove

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