quinta-feira, 15 de setembro de 2011

MIMO 2011 - Cobertura

Egberto Gismonti e Alexandre Gismonti
Sem sombra de dúvida a noite do sábado foi a mais movimentada de toda a Mostra. O multi-instrumentista e compositor Egberto Gismonti se apresentou no Seminário de Olinda, onde abriu o concerto com a participação do seu filho, o violonista Alexandre Gismonti, iniciando com a composição "Mestiço e Caboclo". Pai e filho fizeram um dueto onde mostraram toda a sua habilidade com o violão, onde, em alguns momentos, Egberto fazia percussão no próprio instrumento enquanto tirava algumas notas, técnica ensinada pelo seu amigo, Naná Vasconcelos, que estava presente prestigiando sua apresentação.

Sentado na primeira fila da igreja, Naná estava acompanhado de sua filha Luz Morena, onde por várias vezes, Egberto tentou convencê-la a fazer uma participação no seu concerto tocando a música "Água e Vinho", mas todas as tentativas foram em vão, fazendo o compositor tocar, ao piano, a música inteiramente em sua homenagem.

Egberto, muito extrovertido, conversava bem à vontade com o público, contando algumas histórias de sua carreira e de como estava emocionado com a presença de pessoas cuja relação vai além da amizade. Disse que a noite aguardava boas surpresas. Como já previsto na programação, a violinista Ana de Oliveira iniciou sua participação no concerto, com Egberto ao piano, com a música "Bodas de Prata". Como prometido, o músico surpreendeu o público chamando para apresentar-se com ele, André Mehmari, tocando a música "Palhaço", ao piano e logo após, Hamilton de Holanda, no bandolim, fazendo um duo com Egberto tocando "Caratê".

A igreja e a área externa onde havia o telão permaneceram lotadas durante as duas horas do concerto. Egberto agradeceu a Lu Araújo e todos os envolvidos no evento, falou da importância das oficinas oferecidas na Etapa Educativa mostrando que a música vale a pena, dizendo que "O que o traz à MIMO é a música que se ensina". Egberto Gismoti já participou de quase todas as edições da mostra. Mas essa foi especial.


Philip Glass e Tim Fain
Uma das atrações principais da mostra fizeram o público lotar a Igreja e pátio externo da Sé. O compositor e pianista Philip Glass, acompanhado pelo jovem violinista Tim Fain, fecharam a penúltima noite do evento. Philip Glass é um dos nomes mais influentes do estilo do século XX. É autor de óperas, sinfonias, temas para o teatro, dança e trilhas sonoras para o cinema.

Com um formato minimalista, ora em um solo de piano, ora acompanhado pelo violinista, Glass se mostrou impecável em sua técnica. Ao final de cada música, o compositor se dirigia ao público para agradecer, em português, acompanhado por um bloquinho auxiliar.

Tim Fain, conhecido por fazer parte da trilha sonora do filme "Cisne Negro", deu um show de habilidade e leveza. Philip Glass apresentou peças adaptadas para piano e/ou violino, todas se sua autoria. Cada um apresentou um solo como Bis.


Pagode Jazz Sardinha's Club
A noite começou com uma maravilhosa lua iluminando as ladeiras, dando início aos últimos concertos do evento. O grupo carioca Pagode Jazz Sardinha's Club mostrou toda sua ginga e suingue aos que lotaram o Seminário de Olinda.

Com 14 anos de estrada, o grupo é formado por Rodrigo Lessa (bandolim e bandarra), Roberto Marques (trombone), Bernardo Bosisio (violão e guitarra), Xande Figueiredo (bateria), Marcos Esguleba (percussão), Eduardo Neves (saxofone e flauta) e Edson Menezes (baixo). Pela primeira vez tocando em uma instituição religiosa, o grupo não fez cerimônia, apresentou toda sua criatividade em uma linguagem bem popular misturando o jazz, samba, baião, choro, bossa nova, funk e toques africanos.

Apresentando composições do seu terceiro CD, o "Cidade Mestiça", mostraram inovação prezando sempre pela nacionalidade por nossa natureza mestiça, fazendo homenagem em suas músicas a cinco mulheres: a índia, a branca, a preta, a morena do mar e a crioula. O grupo convidou o público a acompanhar suas músicas batendo palmas e deu um tom de descontração ao concerto. Em seu repertório apresentaram músicas como "Transmestiço", "Índia-Branca", "Na Glória", "Carinhoso” (em homenagem a Pixinguinha), entre outras. Para finalizar tocaram um Bis com a música "Crioula", foi quando os integrantes incentivaram o público a entrar na dança.


André Mehmari e Hamilton de Holanda
O encerramento dos concertos da MIMO 2011 ficou a cargo da dupla André Mehmari (piano) e Hamilton de Holanda (bandolim). Os músicos trouxeram para a sua apresentação composições do CD "Gismontipascoal - a música de Egberto e Hermeto", como o nome já diz, uma homenagem aos seus mestres Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal. Este álbum conquistou o Prêmio da Música Brasileira de 2011, na categoria "Melhor Álbum Instrumental".

Um clima de emoção preencheu todos os espaços da Igreja da Sé e adjacências. Em uma impecável apresentação, a dupla mostrou como expressar seus sentimentos através da música. Abrindo seu repertório com a música que dá nome ao cd "Gismontipascoal", a dupla também tocou "São Jorge” (Hermeto), "Sete Anéis” (Egberto), "A Fala da Paixão” (Egberto), entre outras composições de álbuns anteriores, como "Contínua Amizade".

Entre notas harmônicas e concisas os músicos deram show de técnica e habilidade, André e Hamilton agradeceram o convite para participar do evento e a todos que fazem a MIMO com tanto carinho, a todo o público presente na igreja e na área externa. Após encerrar a apresentação, a dupla voltou ao palco para executar um Bis Triplo tocando as músicas "Um anjo nasce” (André Mehmari), Rosa (Pixinguinha) e “Cinema Paradiso” (Andrea Moriconi), onde Hamilton apareceu extremamente emocionado.


Por Milena Freitas

Fotos: Beto Figueiroa e Marcelo Lyra

http://www.flickr.com/photos/mimofestival

MR.Groove

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