terça-feira, 7 de agosto de 2012

Ubella Preta - Evento horizonte



Parafraseando James Murphy: “Eu estava lá”.

Digo, no primeiro show da Ubella Preta, em 2009.

Após alguns anos, e tendo passado tanto tempo a sós com a banda e meus fones de ouvido, concluo que a Ubella é tanto beijo na boca quanto dúvida sobre o eterno.

Ao vivo ou em disco, criam uma série de ocorrências psicodélicas que, dotadas de clara intenção psiconáutica,
 não se permitem ignorar a existência mútua de aura e corpo, cérebro e mamilos.

 “Evento Horizonte” é o primeiro álbum da banda, após o elogiado EP “Água de Jamaica” (2009).

Com uma fusão autenticamente latina, propelida por gêneros disparatados como guitarrada, prog, afrobeat e raga regado a cítara, o disco é um vórtice de ritmo, transições atmosféricas e matizes púrpuras que parecem espelhar o inacreditável céu noturno de João Pessoa. “Fuga de Ideias”, minha predileta em um set quase perfeito, é pura subversão de expectativas: seus timbres exploratórios e sensoriais causam um real influxo de insights e estados de espírito.

O termo “evento horizonte” define uma ocorrência de ordem cósmica, na qual uma estrela em extinção, convertida em buraco negro, passa a exercer tração gravitacional irresistível sobre seu entorno. O proverbial ‘ponto sem retorno’, onde tempo e massa total se tornam abstrações muito além do impacto de modelos quânticos sobre a compreensão humana.

É 2012, estamos prestes a testar a veracidade de uma profecia, e esse é o tipo de música que parece unicamente fiel a seu momento e contexto. Tudo vai fazer sentido: você, eu, as árvores, buracos negros, a simultaneidade de todos os tempos verbais - até mesmo o futuro do silício.

Por Diego Gerlach, quadrinista & membro do Holístico Extrapiramidal

Consuma:

Mr.Groove

Nenhum comentário:

Postar um comentário